Como se define o Gir Padrão e o Gir Leiteiro?

(Waldyr Barbosa, Pedro Augusto Barbosa - Editores Girbrasil) Constantemente em conversas, os mais leigos no assunto nos lançam perguntas tais como: "Qual a diferença entre Gir Padrão e Gir Leiteiro"! Perante o MAPA/ABCZ a raça é "una", nos registros RGN/RGD o animal recebe a nomenclatura apenas de GIR, os julgamentos da raça foram separados em 2004, numa vitória festejada pelos Girleiteiristas, pois os critérios de avaliação eram imensamente distintos, onde um privilegiava a produção de leite e o outro filigranas de caracteres raciais e sobretudo peso dos animais.

Numa tumultuada reunião comandada pelo homem forte da ABCZ Luiz Josahkian, onde haviam 300 Giristas das duas vertentes, ocorrida por volta de 2003, decidiu-se de forma sensata pela separação dos julgamentos, eu estava presente e votei pela separação, de lá para cá, as avaliações do GIR LEITEIRO ajudaram a alavancar esse viés de forma substancial. MAS COMO DISTINGUIR O GIR LEITEIRO DO GIR PADRÃO?


É a pergunta que não quer calar, sabidamente há boas matrizes no GIR Padrão que produzem leite, eu mesmo tive a BIANCA WBOP uma filha de Brasil da Maracanã, que foi Vice-Campeã em um torneio leiteiro oficial ABCZ/ASSOGIR, o "Juiz" do torneio era o famoso e saudoso Vanderlei Alves de Andrade, o "Vanderleite" da ABCZ, ela perdeu para uma matriz de Sílvio Queiroz Pinheiro que passou dos 25 kg, produziu 18,6 kg de leite em duas ordenhas, era tetos finos, um espetáculo de matriz nos padrões do Dupla Aptidão, acasalada com ARATU EVA e ALLARD FIV (Cancioneiro R) as filhas não produziam um "copo de leite" sequer! Hoje me questiono, BIANCA WBOP era leiteira? ​ No Gir Dupla Aptidão ou Padrão como queiram, há os denominados "fatos isolados", em virtude disso, temos que pensar nas famílias, que são importantíssimas em se falando em produção de leite. ​ No próprio GIR LEITEIRO, nem tudo é leiteiro, numa espécie de "nem tudo que reluz é ouro", pois definir produção somente pelo pedigree é um erro! ​ Um touro negativo nas alças da genealogia, pode colocar tudo abaixo, produção pífia. Produzir animais verdadeiramente leiteiros não é tarefa fácil ou para amadores como eu, isso é fato! ​ A ciência passou a nos auxiliar com o advento do controle leiteiro oficial ABCZ, Teste de Progenie ABCGIL/EMBRAPA e GENOMA, além do olho "clínico" do selecionador. ​ Não gostaria de "lacrar" nada nesse texto, mas não consigo conter-me: "Só podemos dizer que uma matriz é GIR LEITEIRO" quando ela tem capacidade de transmitir as suas filhas, uma produção considerável"! ​ Recentemente noticiamos aqui um acordo do Brasil com a Índia, o País está próximo de concretizar com o Brasil uma importação inédita de embriões de GIR com Aptidão Leiteira, bem como sêmen convencional e sexado, faltando apenas alguns entraves burocráticos. ​ As tratativas do lado Indiano, tem como protagonista a National Dairy Development Board (NDBB), importante órgão naquele País. ​ Prevê-se a exportação de 250.000 doses de sêmen, sendo 50.000 sexadas de fêmeas, e um volume espantoso de 100.000 embriões por ano, afinal trata-se de uma nação com uma população de 1 bilhão e 400 milhões de pessoas, que sobretudo por questões religiosas não se alimentam de carne bovina (pois a vaca para todo hindu é um presente da mãe divina Laksmi e abastece a todos com leite, queijo, manteiga e coalhada), onde os lácteos tem que prover esse vácuo da proteína animal! ​ E nos vários e-mails que recebo, nas conversas pelo WhatsApp com os indianos, eles sempre me questionam: "QUAL A DIFERENÇA ENTRE GIR PADRÃO E GIR LEITEIRO?"


COMENTÁRIO:


Roberto Augusto De Almeida Torres Jr. Caro amigo Waldyr Barbosa Barbosa, excelente pergunta, vou aproveitar pra voltar a tentar dar a minha contribuição. Talvez ela distoe do pensamento de alguns, mas vou manifestá-la de forma a estimular a discussão do assunto. No melhoramento, o indivíduo é visto como um envelope cheio de mensagens a serem passadas para as próximas gerações. O que faz um animal se diferenciar de outro, é uma sequência de boas escolhas dos indivíduos, que permita ao longo das gerações o acúmulo de boas mensagens. Portanto, se houver seleção séria, se torna cada vez mais difícil, que um animal da população original (Gir padrão) se destaque na população selecionada (Gir Leiteiro). Por outro lado, um animal de origem leiteira (pais e avós bem avaliados) vai passar uma boa genética para leite, mesmo que não tenha sido avaliado, ou até mesmo tenha tido uma produção baixa. Afinal, o fenótipo ou produção é apenas uma medida sujeita a uma quantidade absurda de erros (75% de todas diferenças). Mas por que a gente insiste tanto na coleta de fenótipos ou aferições de lactações? Porque é a única informação disponível, mesmo com a genômica, pois alguém vai precisar aferir lactação para calibrar as equações de predição da genômica. E olha que eu estou falando de fenótipos de qualidade, de grupos contemporâneos de novilhas, criados sob as mesmas condições, e sob condições compatíveis com o sistema de produção onde essa genética será usada. Fora isso, nos torneios leiteiros que são uma competição de especialista em doping, lactações aferidas só condições especiais em vacas sem grupo de contemporâneas sob mesmo manejo, ou sob manejo irreal onde o nível de produção desafia até a nossa boa fé, a utilidade dos dados chega próximo de zero. Uma pena o quanto de não-melhoramento é feito por aí. A sorte do Gir Leiteiro é o trabalho sério dos pioneiros e de alguns criadores de hoje que fazem seleção de verdade. Como 80% ou mais do ganho genético vem da seleção de touros, para mim, Gir Leiteiro é quem tem um valor genético, mesmo que predito pelo pedigree (½ pai + ¼ do avô materno + ...) que represente um indivíduo diferenciado para produção de leite. Se o valor genético usar bons fenótipos ou ferramentas genômicas bem calibradas, melhor ainda. Na avaliação da Embrapa ABCGil, os líderes tem PTA de uns 600 kg, os animais tipicamente de corte, uma PTA de -600 kg. É um gradiente contínuo, onde o animal para de ser leiteiro? Eu diria que animais acima de uns 200 kg são tipicamente leiteiros, animais abaixo de -200 kg, com beleza racial são tipicamente padrão, e os animais entre -200 kg e +200 kg são indefinidos, são os padrão bons de leite ou os leiteiros de pior avaliação.

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