Se faltar propósito falta tudo.
- Fazendas do Basa

- 25 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
No jornal de hoje, leio mais uma pesquisa/estudo sobre a infelicidade dos profissionais qualificados de empresas privadas. Alto nível de insatisfação, frustração, decepção com o papel de cada indivíduo. Eu me lembro do início da minha vida profissional, quando todos encontravam razões para se dedicar a seus empregos, como se fossem causas de interesse social ou combinassem com sua filosofia de atuação na comunidade. Era risível como, depois de semanas, o jovem profissional expressasse: "Nós fabricamos bicicletas... o Brasil precisa...", ou: "Nós produzimos medicamentos no Brasil...", ou ainda: "Nós financiamos casas para diversas classes...". Ter um certo orgulho, mesmo comedido, da atividade profissional era imperativo. Vontade de fazer parte de uma equipe, uma marca, uma realização. Vontade de trabalhar com um propósito.

Ao que parece, isso acabou ou diminuiu muito. As pessoas não se sentem mais realizadoras, não valorizam o que as empresas fazem, não se incluem como autores de algo que tenha valor. Todos os estudos que li até agora são incompletos e pobres, pois não analisam que uma forte razão para essa falta de significado do trabalho vem de mentiras que são contadas pelas próprias empresas.
Vou encerrar dando dois exemplos, que não esgotam essa conversa. Uma empresa de mineração diz, em letras garrafais, que protege alguns hectares de floresta. Gasta muitas vezes mais contando essa pseudo-façanha nos jornais, na internet, na TV, do que realmente faz pelo meio ambiente. Em resumo, faz uma promoção mentirosa que nada tem a ver com seu porte econômico. Quem consegue valorizar a empresa onde trabalha, se ela é falsa, se ela mente e mistifica?
Outro exemplo: uma grande indústria que consome muita água na operação industrial e, como item do próprio produto (cervejas, por exemplo), divulga aos berros que preserva nascentes, que defende a correta utilização de água. Do mesmo modo, os números de valor aplicado são omitidos, pois é mentira que a referida indústria faz algo relevante se comparado com seu faturamento. Como alguém pode se sentir bem no trabalho para mistificadores que apenas se dedicam a um marketing institucional mentiroso?
Voltarei ao assunto (longo), se alguns que me seguem comentarem o que publico até aqui.
Obrigado .




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